Encontro Nacional com a Ciência e a Tecnologia

NOTA: Todas as sessões do Auditório 1 serão em formato presencial e online. Todas as outras sessões serão apenas presenciais, com limite do número de participantes.

A Ciência que faz o Amanhã e transforma a Economia

O encontro Ciência 2021 é enquadrado, naturalmente, pelo contexto que vivemos em Portugal, na Europa e no mundo em associação com o esforço de recuperação económica após a crise internacional provocada pela doença COVID-19. Se é verdade que a incerteza e o desconhecimento sobre o futuro inundou as nossas rotinas diárias, não será menos verdade admitir que de forma também inédita em Portugal em tempos de crise, presenciamos um momento extraordinário de confiança dos jovens e das suas famílias no conhecimento, bem como nas vantagens decorrentes da qualificação superior e do desenvolvimento científico.

É neste contexto que o Encontro Ciência 2021 tem por tema “ A Ciência que faz o Amanhã e transforma a Economia”. Hoje já sabemos que temos Ciência e que a produção científica nos permite acumular conhecimentos suficientes que nos possibilitam exportar produtos e serviços com mais valor económico, assim como tratarmos doentes nos hospitais e prevenir, tratar e reabilitar doenças com base na ciência que aprendemos e naquela que nós mesmos produzimos. Sabemos também que, por outro lado, as atividades económicas e sociais de maior valor acrescentado levantam novas questões científicas e estimulam novas fronteiras do conhecimento. Precisamos, portanto, de continuar a evoluir no reforço de agendas colaborativas com mais ciência e mais economia, para garantirmos um futuro sustentável às próximas gerações.

A complexidade deste desafio exige atividades e instituições diversificadas para que se pense a política científica de forma inovadora e agregadora, explorando os desafios e as oportunidades que emergem em estreita articulação com a sociedade.

Entendamos a realidade dos factos e da dinâmica criada em Portugal nos últimos anos :

 

  • a taxa de graduados com ensino superior na população residente entre os 30 e os 34 anos atinge 43% no 4º trimestre de 2020, superando pela primeira vez a meta europeia de 40%, com o número total de estudantes a aumentar desde 2015 e a atingir cerca de 400 mil estudantes em 2020/21;
  • o número de investigadores na população ativa cresce para um máximo também histórico de cerca de 10 investigadores por mil ativos em 2019, 38% dos quais nas empresas;
  • a despesa total em I&D em Portugal atingiu um novo máximo histórico de cerca três mil milhões de euros em 2019, representando 1,41% do PIB e crescendo mais de 34% desde 2015, com a previsão da despesa em I&D para 2020 a atingir 1,6% do PIB.
  • o crescimento da despesa em I&D é particularmente expressivo no sector das empresas, crescendo mais de 50% desde 2015 e passando a representar 53% da despesa total em I&D.
  • a execução da Fundação para a Ciência e a Tecnologia aumenta em cerca de 40% desde 2015, com dois anos consecutivos a superar 510 milhões de euros em simultâneo com uma evolução clara na estrutura de financiamento da ciência
  • Portugal aumenta consideravelmente a participação nos Programas Europeus de investigação de base competitiva (designadamente no programa Horizonte 2020), com cerca de 180 milhões de euros atraídos anualmente nos últimos três anos, cerca de 60% pelos sistemas científico e académico e 40% pelas empresas;
  • Por outras palavras, ao mesmo tempo que a democratização do acesso ao ensino superior tem sido concretizada, designadamente com o alargamento da oferta de formações curtas de âmbito politécnico e a diversificação e especialização da oferta educativa, a democratização do acesso ao conhecimento, à inovação e à investigação pelas empresas tem sido efetivamente conseguida, onde as PME têm cada vez mais expressão no investimento em I&D, com mais de quatro mil empresas a registar despesas privadas de I&D.

É, assim, importante enquadrar os próximos anos em termos da exigência crescente de melhor articular políticas e estratégias para a ciência, para a coesão e para a competitividade com um processo efetivo de convergência europeia até 2030, designadamente em termos da ação climática e das oportunidades associadas à digitalização da nossa sociedade e economia.

Este contexto é particularmente relevante quando se perspetiva a fixação das grandes opções financeiras para a Europa para 2021-27, incluindo o arranque do plano de recuperação e resiliência – PRR (i.e., a Próxima Geração da UE), a preparação dos fundos estruturais para Portugal (i.e., PT 2030), assim como do novo quadro europeu de investigação e inovação (i.e., o Programa “Horizonte Europa”), do futuro do Programa ERASMUS e do futuro programa europeu para o Espaço, entre outros. Em particular a complementaridade e especificidade dos vários mecanismos.

É neste contexto que a Presidência Portuguesa da União Europeia introduziu três questões principais consideradas cruciais na área da investigação e inovação em Portugal e na Europa.

Em primeiro lugar, promover a relação entre ciência e a criação de emprego qualificado é fundamental para fomentar a recuperação económica e a resiliência, exigindo que todas as regiões europeias se tornem centrais a este debate. A ciência e o conhecimento tecnológico criam mercados e, em conjunto, temos todos de estar mais conscientes do comportamento não linear da investigação e da inovação para criar mais e melhores empregos.

Em segundo lugar, fomentar a ciência fundamental, “aberta” e colaborativa é absolutamente critico para promover novas fronteiras do conhecimento e superar todos os tipos de desafios que emergem. Exemplos claros incluem a investigação em cancro, a investigação sobre a alteração genética de alimentos, ou a investigação sobre a física do universo, sobre materiais avançados, nano-ciências ou física quântica, assim como as dinâmicas socioculturais em que estamos envolvidos, entre muitas outras disciplinas.

Por último, mas não menos importante, é absolutamente necessário fomentar as carreiras de investigação e aumentar a profissionalização da atividade de investigação nos sectores público e no privado. Desta forma, a experiência Portuguesa dos últimos anos deve ser usada para promover o debate político na Europa sobre a geração e valorização no conhecimento nos sistemas público e privado, incluindo carreiras de investigação em empresas, juntamente com o aumento do investimento público e privado em I&D.

De facto, o reforço das instituições científicas e académicas através da promoção do emprego científico e do desenvolvimento de carreiras científicas e académicas representa um esforço coletivo que exige a mobilização contínua e sistemática das instituições e dos investigadores, assim como dos seus representantes institucionais, em estreita articulação com a atividade e ação política e a ambição de fazer evoluir o financiamento da ciência, da tecnologia e do ensino superior de forma a atingir até 2030 um nível de investimento, publico e privado, em I&D de 3% do PIB.

O estabelecimento de um “ pacto para o reforço de instituições e carreiras científicas ” tem como objetivo evoluir neste sentido, concretizando mais um passo no processo de reforço de instituições e carreiras científicas em Portugal no contexto europeu, facilitando e estimulando a adoção de medidas concretas de dignificação progressiva das carreiras científicas e académicas em Portugal.  Representa ainda um passo importante na afirmação de Portugal na Europa, sobretudo no âmbito das ações conduzidas no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia no 1º semestre de 2021 e das consequentes recomendações aos Estados Membros, em discussão final no contexto da preparação do Conselho Europeu de Competitividade do final de Maio de 2021.

Em conclusão, é tempo para aprender mais, promovendo e reforçando agendas conjuntas, mobilizadoras e articuladas com mais ciência e mais economia, valorizando a especificidade do plano de recuperação e resiliência.

É, assim, importante enquadrar a evolução da nossa capacidade científica em termos da exigência crescente de melhor articular políticas e estratégias para a coesão e para a competitividade com um processo efetivo de convergência europeia até 2030, designadamente em termos da ação climática e das oportunidades associadas à digitalização das nossas sociedades e economias. Este processo só terá sucesso com mais conhecimento, remetendo para a opção pública e certamente, para o pensamento político respetivo, a garantia de considerar a aprendizagem e o conhecimento como “bens públicos” , reforçando o seu papel de criação de mais e melhores empregos. 

E para que a mobilização e articulação adequada destas fontes de financiamento se concretizem em torno dos nossos objetivos comuns, temos de assegurar que a responsabilização social das instituições científicas e de ensino superior está particularmente associada ao desenvolvimento de carreiras docente e de investigação. Promover um quadro de “autonomia responsável”, implica formar mais jovens e garantir o rejuvenescimento do corpo docente, juntamente com a promoção das carreiras científicas e académicas, estimulando o emprego científico e combatendo a precariedade no trabalho académico e científico.

Neste contexto, o encontro Ciência 2021 inclui um conjunto de cerca 70 sessões paralelas, de forma a debatermos a evolução da ciência em Portugal que faz o Amanhã e transforma a Economia .

Agradeço, em particular, o esforço conjunto de todos aqueles que contribuíram para o Programa do Ciência 2021 e, em particular, o trabalho dos Comissários Paula Alves, David Malta e Marta Oliveira , assim como de todos  aqueles que vão participar ativamente nas sessões e no processo de construir uma sociedade baseada no conhecimento. Agradeço ainda o esforço de organização pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva e a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, assim como de toda a equipa do Comissariado do Encontro.

Vamos discutir os desafios do futuro e reunir, mais uma vez, investigadores e peritos de diferentes áreas científicas e sectores sociais e económicos, para projetar a recuperação de Portugal na próxima década.

 

Manuel Heitor

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

 

Ciência 2021

Nova edição do encontro anual da ciência, tecnologia e inovação em Portugal, que decorrerá de 28 a 30 de junho de 2021, no Centro de Congressos de Lisboa.

Este ano o país convidado é a França, que participará ativamente no programa, destacando o intercâmbio e a forte cooperação científica existente entre os dois países.

O tema do evento, “A Ciência que faz o Amanhã e transforma a Economia”, lança o mote para os principais temas, desafios e oportunidades da ciência em 2021 que se faz em Portugal e na Europa. Do futuro do emprego à exploração espacial e à transição climática, diversos serão os tópicos para estimular a interação e o diálogo entre os participantes.

O Ciência 2021 está organizado em diferentes tipos de sessões, de plenárias a temáticas, passando também por comunicações, demonstrações e pósteres online . As seis sessões plenárias cobrem as principais dimensões do tema central do evento. No contexto incerto associado à pandemia de COVID-19, temas como o posicionamento da ciência e da economia no quadro do Plano de Recuperação Económico são basilares. Estas sessões contarão com a participação de oradores internacionalmente reconhecidos nas suas áreas, e incluirão, em particular, intervenientes portugueses e franceses, destacando a colaboração luso-francesa do evento.

O programa incluirá 26 sessões temáticas em paralelo, que revelam parcerias internacionais de universidades, empresas e outras entidades nacionais. A participação das instituições I&D portuguesas será particularmente ativa online através das comunicações e demonstrações de atividades de I&D e de pósteres dos estudantes de doutoramento bolseiros financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O Ciência 2021 é promovido pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia em colaboração com o Ciência Viva e com a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, contando ainda com o apoio institucional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Neste fórum, esperamos potenciar o envolvimento de investigadores, empresários, estudantes e do público em geral, para promover a discussão de ideias e preparar num esforço coletivo o futuro da Ciência e da Tecnologia, tanto em Portugal como na Europa.

 

Comissários

David Braga Malta

Fundador da LiMM, Cell2B e BoostPharma

Marta Oliveira

Especialista em segurança de lançadores no Porto Espacial Europeu com a Vitrociset

Paula M. Alves

CEO do iBET e professora na Universidade NOVA de Lisboa

(ITQB e FCT-NOVA)

Local

Centro de Congressos de Lisboa, Junqueira

Morada:

Praça das Indústrias, nº1 | 1300-307Lisboa - Portugal

Edição anterior

Saiba tudo o que aconteceu na edição anterior. Consulte o website. Consulte os websites.

Organização:

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Colaboração:

Ciência Viva

Com o apoio de:

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

 

Assembleia da Républica

 

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